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Depósito de Abadia de Goiás: Onde repousam as 6 mil toneladas de lixo radioativo

Mesmo após 38 anos do acidente com o Césio-137, a localização e o estado dos rejeitos ainda geram dúvidas e receio na população goiana. O material, que inclui desde roupas e utensílios domésticos até pedaços de alvenaria das casas demolidas durante a descontaminação, está armazenado de forma definitiva em Abadia de Goiás, a cerca de 20 km de Goiânia.

O local escolhido para o repouso desses resíduos é o Parque Estadual Telma Ortegal, uma área de 32 alqueires estrategicamente posicionada às margens da BR-060.


A Engenharia do Isolamento

Para garantir que a radiação não contamine o solo ou o lençol freático, foi construída uma estrutura de alta segurança sob a responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

  • Os Depósitos: Existem duas grandes colinas artificiais no terreno. Elas não são elevações naturais, mas sim estruturas de concreto armado que abrigam o lixo.
  • Divisão do Material:
    • Depósito 1 (40%): Contém materiais com baixos índices de radioatividade.
    • Depósito 2 (60%): Abriga os rejeitos efetivamente radioativos, incluindo os restos da cápsula original que continha os 19 gramas de pó de césio.
  • Monitoramento: No local funciona o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO), que realiza medições constantes para garantir que não haja vazamentos.

O Fator Tempo: 200 Anos de Alerta

Diferente de outros tipos de lixo, o resíduo radioativo não pode ser reciclado ou destruído. Ele precisa “morrer” naturalmente através do processo de decaimento físico.

Previsão: Especialistas e pesquisadores da CNEN estimam que os riscos de contaminação desses rejeitos só desaparecerão por completo daqui a 200 anos. Até lá, a área de Abadia de Goiás permanecerá sob vigilância rigorosa e restrições de uso.


O “Silenciamento” da Memória em Goiânia

Enquanto o lixo está confinado em Abadia, em Goiânia a história física do acidente tem sido apagada. Segundo a pesquisadora Célia Helena Vasconcelos, da UFG, a capital carece de memoriais ou placas nos locais onde a tragédia ocorreu.

Local OriginalSituação Atual
Rua 57-A (Setor Central)Renomeada para Rua Paulo Henrique de Andrade.
Rua 26-A (Setor Aeroporto)Local do ferro-velho, agora se chama Rua Francisca da Costa Cunha.
Lote do IGRO prédio foi demolido e o terreno limpo, sem indicações do que ali funcionava.

Essa mudança nos nomes das ruas e a ausência de marcos históricos são vistas por estudiosos como uma tentativa da cidade de se distanciar do estigma do acidente, embora o monitoramento de saúde das 129 vítimas diretas e seus descendentes continue sendo realizado pelo Centro de Assistência aos Radioacidentados (CARA).

Deseja que eu mostre o mapa de como chegar ao Parque Telma Ortegal ou mais detalhes sobre o tempo de meia-vida do Césio-137?

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