MP de Goiás luta para manter júri popular de agropecuarista em caso de feminicídio em Itaberaí
Nesta quinta-feira (19), o Ministério Público de Goiás (MPGO) apresentou sustentação oral no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) para garantir que o agropecuarista Luís Felipe Silva Lima seja julgado pelo Tribunal do Júri. Ele é acusado de matar a tiros sua ex-noiva, a advogada Jordana Fraga Martins David, em 2018, e tentar simular que a vítima havia cometido suicídio.
A defesa do réu, que aguarda o julgamento em liberdade, recorreu da decisão de pronúncia tentando impedir que o caso vá a júri popular, sustentando a tese de inocência.
O Crime e a Simulação
O caso chocou a cidade de Itaberaí pela frieza dos detalhes apresentados na denúncia:
- Cena Adulterada: Jordana foi encontrada morta com um tiro na cabeça em um lote baldio ao lado de sua casa. Segundo a perícia, Luís Felipe teria reposicionado o corpo e colocado a arma ao lado dela para induzir a polícia ao erro.
- Comportamento Pós-Crime: Minutos após o disparo, o acusado ligou para a mãe da vítima perguntando pelo paradeiro de seu revólver. Logo em seguida, ele teria pedido um sanduíche e ido para casa, demonstrando total indiferença.
- Histórico de Abuso: As investigações revelaram um relacionamento marcado por possessividade, controle psicológico e episódios anteriores de agressão física.
A Luta da Família por Justiça
A mãe de Jordana, Lélia Fraga Martins David, foi quem encontrou o corpo da filha. Em depoimentos emocionados, ela relata que “apenas sobrevive” desde a perda. O Ministério Público enfatiza que a manutenção do júri popular é fundamental para a credibilidade da Justiça, especialmente por se tratar de um crime doloso contra a vida com fortes indícios de autoria e materialidade.
A procuradora de Justiça Yara Alves Ferreira e Silva e a promotora Elissa Tatiana Pryjmak destacam que, no “Mês da Mulher”, a confirmação do julgamento pelo Conselho de Sentença reafirma o compromisso das instituições no combate ao feminicídio e à violência de gênero em Goiás.
Contexto Jurídico
O recurso da defesa está sendo analisado pela Segunda Câmara Criminal do TJGO. Caso o tribunal mantenha a decisão de pronúncia, o juiz da comarca de Itaberaí poderá agendar a data do julgamento, onde sete cidadãos da comunidade decidirão se Luís Felipe é culpado ou inocente das acusações de homicídio qualificado e fraude processual.



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