PT de Goiás intensifica debate sobre candidatura própria para 2026, mas segue sem consenso
O Partido dos Trabalhadores (PT) em Goiás reafirmou o projeto de lançar uma candidatura própria ao governo estadual nas eleições de 2026, buscando consolidar um palanque forte para a reeleição do presidente Lula no estado. No entanto, o diretório estadual, presidido pela deputada federal Delegada Adriana Accorsi, ainda enfrenta um cenário de fragmentação interna entre nomes tradicionais e novas apostas, mantendo a decisão final atrelada às articulações nacionais.
A nota oficial divulgada em fevereiro pelo partido descartou categoricamente qualquer aliança com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), reforçando que a esquerda goiana pretende oferecer uma alternativa ao que chamam de polarização entre a continuidade do atual governo (Daniel Vilela) e o “retorno ao passado”.
Os Nomes no Tabuleiro Petista
A disputa interna revela duas estratégias principais: a renovação de quadros ou a aposta em nomes com histórico de votações expressivas.
- Aposta em “Sangue Novo”: A deputada estadual Bia de Lima e o vereador Fabrício Rosa defendem o nome do jovem advogado Valério Luiz. Para os parlamentares, Valério representa uma renovação capaz de mobilizar a militância e trazer uma narrativa inédita para a disputa majoritária.
- Experiência Acadêmica e Política: O deputado federal Rubens Otoni e o dirigente Delúbio Soares inclinam-se pela candidatura de Edward Madureira. Ex-reitor da UFG e segundo vereador mais votado em Goiânia em 2024, Madureira é visto como um nome de peso técnico e político, embora ele próprio já tenha manifestado preferência por disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou Câmara Federal.
- Outras Pré-candidaturas: O jornalista Cláudio Curado e o ex-deputado Luís César Bueno também figuram como alternativas dentro da legenda.
O Fator Nacional e a Federação
A definição em Goiás não é isolada. De acordo com o vereador Fabrício Rosa, a conjuntura nacional será o fio condutor da decisão. O PT precisa equilibrar seus desejos regionais com os acordos de federação (PT, PCdoB e PV) e a frente ampla de apoio a Lula.
- Psol na Disputa: Correndo por fora, Cíntia Dias, presidente do Psol em Goiás, já colocou seu nome à disposição. Como o Psol e o PT costumam caminhar juntos nacionalmente, a candidatura de Cíntia é uma variável que pode ser negociada dependendo do apoio que o PT buscar em outros estados.
Cenário Político e Prazos
Até o momento, a Delegada Adriana Accorsi não estabeleceu um prazo rígido para o anúncio oficial do pré-candidato. O partido aposta no processo de “disputas internas e construção sistemática de consensos” para evitar rachas na base.
O grande desafio da esquerda em Goiás para 2026 será romper a hegemonia de grupos já estabelecidos e garantir que o palanque de Lula seja competitivo em um estado onde o agronegócio e forças conservadoras possuem forte influência eleitoral.



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