Tarifas do transporte semiurbano ultrapassam R$ 12 e geram revolta em Luziânia e no Entorno
Desde o dia 22 de fevereiro, os trabalhadores que residem no Entorno do Distrito Federal enfrentam um novo e pesado impacto em seus orçamentos. O reajuste de 2,546% autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) elevou o preço das passagens para patamares críticos, chegando a R$ 12,35 no trecho entre Luziânia e Taguatinga.
A justificativa oficial baseia-se na variação do IPCA e na alta do óleo diesel, mas, para os cerca de 380 mil passageiros diários, a medida é vista como um confisco da renda familiar em troca de um serviço amplamente classificado como precário e sucateado.
O custo do deslocamento: Luziânia em destaque
Para quem vive em Luziânia e trabalha em Brasília ou nas cidades-satélites, a conta do transporte tornou-se quase impagável. Trabalhadores relatam que o valor consome uma fatia desproporcional do salário, ameaçando a permanência em seus empregos.
- Valores por trecho: Em cidades como Águas Lindas e Planaltina de Goiás, as tarifas subiram para R$ 11,43 e R$ 11,63, respectivamente. Em Luziânia, dependendo do destino final no DF, o valor rompe a barreira dos R$ 12,00.
- Impacto na Renda: Com a maioria da população local vivendo na informalidade ou recebendo salários baixos (média de 1,8 salários mínimos para os formais), o gasto mensal com transporte pode comprometer quase metade da renda de sobrevivência.
“Não temos quem brigue por nós”: A voz da população
A indignação popular foi manifestada em depoimentos colhidos pelo jornal A Nova Democracia (AND) durante agitações na Rodoviária do Plano Piloto. Os relatos apontam para um sentimento de abandono político e falta de representatividade.
“O entorno sofre muito… e as pessoas vêm falar que ‘o governo está fazendo alguma coisa’, não tá. Nós não temos ninguém em Luziânia que brigue por nós contra o aumento de passagem”, denunciou Regina, trabalhadora doméstica residente no município.
As principais queixas dos usuários incluem:
- Frota Sucateada: Ônibus velhos que frequentemente quebram durante o trajeto.
- Superlotação: Veículos que viajam amontoados, especialmente nos horários de pico.
- Atrasos: Longas esperas nas paradas e rodovias devido à falta de manutenção dos veículos e das estradas.
Cenário de Tensão e Risco de Levantes
O aumento ocorre em um momento de desgaste das negociações entre o Governo de Goiás e o Governo do Distrito Federal (GDF) sobre a criação de consórcios de mobilidade e subsídios. Enquanto a burocracia estatal discute quem deve arcar com os custos, as empresas de transporte garantem seus lucros por meio dos sucessivos reajustes tarifários.
Analistas e ativistas apontam que a carestia do transporte, somada à alta dos alimentos e aluguéis, cria um cenário de insatisfação social similar ao que precedeu as grandes manifestações de 2013. O temor das autoridades é que o custo da roleta seja o estopim para novas rebeliões populares nas cidades do Entorno, onde a dependência do transporte público é vital para a sobrevivência econômica.



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