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Congresso em Goiânia discute “economia da atenção” e alerta para riscos da era digital ao jornalismo

Evento realizado na Assembleia Legislativa reuniu profissionais, pesquisadores e estudantes para debater os impactos das big techs, da inteligência artificial e da desinformação sobre a profissão. Palestrantes defenderam curadoria, apuração e valorização do trabalho jornalístico como resposta ao domínio dos algoritmos.

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sediou, entre sexta-feira (10) e sábado (11), o 9º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás, encontro que reuniu profissionais da imprensa, professores, pesquisadores e estudantes para discutir os desafios da profissão diante das mudanças tecnológicas e da transformação do consumo de informação.

Com o tema “O jornalismo frente à economia da atenção”, o congresso ocorreu no Auditório 1 do Palácio Maguito Vilela, espaço que leva o nome do jornalista Altemar Santos, fundador do Portal Mais Goiás. A programação teve como eixo central a pressão crescente das plataformas digitais sobre a produção de notícias, o avanço da desinformação e os efeitos da inteligência artificial no trabalho jornalístico.

O evento foi articulado pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor-GO), Francisco Costa, que destacou o caráter formativo e político da iniciativa. Em sua fala, ele reforçou que a categoria vive um período de resistência, marcado pela necessidade de reafirmar a apuração rigorosa e o compromisso com a verdade em um ambiente contaminado por boatos, manipulações e conteúdos impulsionados por algoritmos.

Na abertura, um dos destaques foi a conferência do jornalista Vinícius Sassine, repórter especial da Folha de S.Paulo, que enfatizou a curadoria como elemento central do jornalismo profissional. Para ele, a imprensa não pode aceitar como natural a lógica imposta pelas redes sociais, onde o engajamento frequentemente substitui a relevância e a verificação dos fatos.

Sassine alertou que o jornalismo perde recursos e energia quando passa a operar guiado pelo comportamento das plataformas digitais. Ele defendeu que a imprensa ainda tem capacidade de conduzir o debate público, desde que preserve autonomia editorial e não se submeta às dinâmicas automáticas de viralização.

Com 23 anos de trajetória e passagens por veículos como O Globo, Época, Correio Braziliense e O Popular, Sassine acumula dezenas de prêmios nacionais e internacionais, incluindo distinções como o Prêmio Esso, o Vladimir Herzog e o Prêmio Rei da Espanha.

O congresso também abriu espaço para discussões sobre liberdade de imprensa em contextos de guerra. O ex-presidente do Sindjor-GO, Cláudio Curado, leu durante o evento a chamada “Carta de Gaza”, documento que denuncia ataques contra jornalistas palestinos no conflito no Oriente Médio. O texto classifica as mortes e agressões como violação direta ao direito à informação e pede mobilização internacional para proteção de profissionais em zonas de risco.

A programação do sábado foi dedicada a debates técnicos e acadêmicos sobre os novos formatos de comunicação e os dilemas do jornalismo contemporâneo. Painéis discutiram desde mudanças no consumo de notícias até o impacto de mídias visuais emergentes e a fragilidade da percepção do real diante da manipulação digital.

Entre os temas abordados, o congresso tratou dos efeitos da inteligência artificial sobre a produção jornalística e sobre o mercado de trabalho, reunindo pesquisadores de universidades como UFG e USP. O encerramento foi marcado por um debate aberto sobre a regulamentação da profissão, com participação de representantes sindicais e lideranças históricas do movimento jornalístico.

Ao final, o congresso consolidou uma mensagem clara: em um ambiente dominado por algoritmos e disputas por atenção, o jornalismo segue sendo desafiado a preservar seu papel social — não como produto de engajamento, mas como instrumento de apuração, responsabilidade pública e defesa do direito coletivo à verdade.

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