Mulher acusa médico de assédio durante perícia do INSS em Goiânia e caso vai parar na delegacia
Paciente afirma que teve o vestido levantado durante avaliação de auxílio-doença por hérnia na coluna. Médico nega irregularidade e diz que procedimento foi técnico. Cremego informou que denúncias éticas são apuradas sob sigilo.
Uma mulher denunciou ter sido vítima de assédio durante uma perícia médica realizada em uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Goiânia. Segundo o relato, o médico responsável pelo atendimento teria levantado o vestido dela durante a avaliação, o que provocou constrangimento e levou a paciente a procurar a polícia.
O episódio ocorreu no dia 7 de abril, durante uma perícia voltada à concessão de Auxílio-Doença, relacionada a um quadro de hérnia na coluna. Em entrevista, a mulher afirmou que o médico teria feito perguntas que, na visão dela, não tinham ligação com o objetivo do atendimento e que a situação se agravou quando ele pediu que ela se levantasse.
De acordo com o depoimento, ao se levantar, a paciente percebeu o profissional atrás dela e, em seguida, ele teria levantado seu vestido de forma inesperada. Abalada, ela relatou que saiu da sala sem receber oficialmente o resultado da perícia, embora tenha ouvido do médico que “não tinha nada”.
Após o atendimento, vídeos registrados pela própria paciente mostram a mulher chorando e visivelmente nervosa. Ela disse ter se sentido humilhada e afirmou que não esperava passar por esse tipo de situação ao buscar um direito previdenciário.
O médico, por sua vez, negou qualquer conduta irregular. Em boletim de ocorrência obtido pela TV Anhanguera, ele alegou que o procedimento foi “técnico e necessário” para avaliar a coluna e afirmou que solicitou que a paciente levantasse o vestido. Segundo o relato dele, não houve manifestação de desconforto durante a consulta.
O registro policial também aponta que, após o benefício ter sido negado, a mulher teria retornado à agência exaltada e acusado o profissional de importunação sexual. No mesmo documento, o médico afirma que teria sido alvo de desacato, ameaça e calúnia e relata ainda que a paciente teria arremessado uma garrafa de água, atingindo seu braço.
A Polícia Militar informou que o caso foi encaminhado e está sob responsabilidade da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher. A Polícia Civil ainda não confirmou oficialmente se já instaurou investigação.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) declarou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas e tramitam em sigilo, conforme previsto no Código de Processo Ético-Profissional. O conselho informou ainda que pode solicitar esclarecimentos ao responsável técnico da instituição envolvida.
A reportagem também buscou posicionamento do Ministério da Previdência Social, mas não houve retorno até o momento.



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