Conselho Nacional de Direitos Humanos investiga atuação de células neonazistas em Goiás
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, encerra nesta quarta-feira (25) uma missão especial em Goiás para investigar o avanço de grupos neonazistas e discursos de extremismo no estado. A comitiva busca diagnosticar a disseminação de conteúdos racistas, xenófobos, misóginos e a intolerância contra religiões de matriz africana.
Goiás é o quinto estado visitado pela missão, que já passou por Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pernambuco. O foco das autoridades está na detecção precoce de radicalização, especialmente entre o público jovem.
Mapeamento de Células no Estado
Dados compartilhados durante a missão, baseados em pesquisas da antropóloga Adriana Dias (Unicamp), apontam a existência de pelo menos seis células neonazistas ativas em território goiano. A distribuição geográfica identificada é:
- Goiânia: 04 células (incluindo o grupo “Azov”, de inspiração paramilitar ucraniana);
- Luziânia: 01 célula;
- Pirenópolis: 01 célula.
De acordo com o relator Carlos Nicodemos, os grupos identificados defendem pautas de “limpeza étnica” e perseguição sistemática à comunidade LGBTQIAPN+. Algumas dessas células possuem raízes ideológicas vindas da Europa Oriental (Ucrânia e Rússia) e dos Estados Unidos.
Agenda e Audiência Pública
A missão em Goiás, realizada entre 23 e 25 de fevereiro, incluiu:
- Reuniões com a Segurança Pública: Diálogos com as forças policiais para avaliar mecanismos de monitoramento e investigação de crimes de ódio.
- Visitas Institucionais: Encontros com lideranças religiosas em terreiros de matriz africana, alvos frequentes de intolerância.
- Audiência Pública: Realizada hoje na Câmara Municipal de Goiânia, sob coordenação do vereador Fabrício Rosa (PT), para colher depoimentos de pesquisadores e da sociedade civil.
Próximos Passos e Recomendações
O CNDH produzirá um relatório específico para Goiás com recomendações aos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, com previsão de leitura em plenário entre 30 e 60 dias.
As conclusões locais também servirão de subsídio para o relatório nacional, previsto para o final de 2026, que será encaminhado a organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), visando o fortalecimento de políticas públicas de letramento em direitos humanos e combate ao extremismo no Brasil.
Gostaria que eu pesquisasse canais oficiais de denúncia em Goiás para casos de apologia ao nazismo ou crimes de intolerância?



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